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22/10/2021 16:06

AMANHÃ VAI SER OUTRO DIA-Por Gilson Romeu da Cunha e Helena Maria Bortolo

 

AMANHÃ VAI SER OUTRO DIA

Por Gilson Romeu da Cunha e Helena Maria Bortolo

"Eu vim para desconstruir”, reiterou o extremado direitista Jair Messias Bolsonaro nos primeiros meses do ano de 2019, logo após a sua posse na presidência. Não foram meras palavras ocas ou simples fraseologia. A sua locução expressou uma intencionalidade que se materializou de forma implacável nestes mil dias de edificação do seu esdrúxulo Reich caboclo, cá abaixo da linha do equador.

A nefasta herança de destruição de Bolsonaro, por meio da sua política de contrarreformas neoliberais, não tem precedentes na história deste país: reajustes do salário mínimo abaixo da inflação, 15 milhões de desempregados, 19 milhões de famintos, que se revezam cotidianamente nas quilométricas filas do osso, inflação acima de 10%, gasolina a R$7,00, gás em torno de R$130,00, devastação dos biomas das florestas e parques ambientais, cortes das verbas destinadas à educação pública, incontáveis tentativas de solapar os pilares das instituições democráticas da república e mais de 600 mil mortes ceifadas pela Covid-19, que devem ser creditadas ao boicote do criptofacista às medidas sanitárias de biossegurança.

A reforma previdenciária aprovada no segundo ano do mandato do "presidente" produziu um corte de mais de R$800 bilhões em direitos dos trabalhadores sob a forma de redução dos valores de benefícios, ampliação do tempo de contribuição e inviabilização do acesso à aposentadoria.

O mundo do trabalho também foi impactado negativamente com a implantação da carteira verde-amarela, que permite que o patrão se desobrigue de suas contribuições previdenciárias e trabalhistas, reduza salários e período de férias.

Há mil dias no poder, Bolsonaro coleciona mentiras e casos de violações aos direitos humanos.

De acordo com o jornalista Leonardo Sakamoto, "até aqui o legado bolsonarista é um Brasil mais pobre, mais faminto, mais desesperançoso".

Todo esse descontexto sociopolítico e econômico tem dificultado a luta de resistência dos trabalhadores pela reconquista de direitos e pela valorização salarial, materializadas num total desequilíbrio entre sindicatos e patrões.

Todavia, o medievo obscurantismo bolsonarista não tem conseguido sufocar o grito dos trabalhadores por liberdade e justiça que sempre ecoou nos rincões desta pátria amada brasilis, mesmo nos períodos mais duros da autocracia, conforme nos mostra o poema "Faz escuro mas eu canto", do amazônida Thiago de Mello, composto nos idos anos de chumbo da década de 60, mas ainda hoje modernamente contemporâneo e categórico para referenciar a nossa luta.

Faz escuro mas eu canto,
porque amanhã vai chegar.
Vem ver comigo companheiro,
a cor do mundo mudar.
Vale a pena não dormir para esperar.

Gilson Romeu e Helena Bortolo são professores aposentados e diretores do Sintep Subsede de Cuiabá


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